

PADRE CÍCERO, ESCRITORES REGIONAIS E O JAZZ NA VIDA DE UM ROQUEIROTentando me reencontrar no mundo após precoce aposentadoria, primeiro descobri o Padre Cícero, que deu luz para a minha fé, pois andava bem árida. Junto com ele, servo de Deus que seriamente enveredou pela política, conheceu Lampião e demais polêmicas como o milagre da hóstia que se converteu em sangue... senti vontade de relembrar um tempo que morei no Nordeste revisitando Raquel de Queiroz e Graciliano Ramos. Entretanto, o mais bacana, após o roqueiro aqui se abastecer com o genuíno forró de raiz, também descobriu o jazz! Minhas principais referências bibliográficas e musicais são estrangeiras, então fui procurar alguma música de raiz em outros países e acabei tendo contato com Miles Davis, um bálsamo milagroso para mais de quatro décadas ouvindo os sermões de guitarras barulhentas, ultimamente mais calminhas, e só com letras sobre amor e cotidiano, uma evolução? Tanto o rock quanto o forró e o jazz estão mortos, vivendo só de experimentalismos; nada surge com ineditismo. Estava cansado de recorrer ao passado para suspirar com a música mas uma "velharia" levou-me para o futuro: músicas que parecem ser tristes, mas que relaxam, eis o jazz, música de improviso assim como anda minha vida, tentando me reinventar. Tive que voltar muito no passado, coisa de ainda nem ter nascido, para me alegrar com o futuro; novamente me emociono com a música. Entrando nesse universo, descobri que nunca larguei do Brasil e da sua cultura mais genuína, coisa raiz, entendendo que por ter passado minha adolescência na época do inicio da redemocratização deste país, muita coisa antes proibida agora está me dando liberdade para pensar longe dos interesses políticos das antigas classes dominantes. É uma viagem para outra dimensão, totalmente diferente do que se ouve na tevê e no rádio. Harmonia, sentimento, introspecção, um achado. Nós, escritores independentes, não precisamos vender e nos vender por livros que viram febre nas redes sociais; podemos improvisar, testar novos conceitos, alcançar um público mais alternativo ao gosto das massas, sermos únicos assim como Deus nos criou, então dá-lhe o jazz como fundo musical enquanto escrevo, geralmente falando mais de mim que da notícia em si, minha principal característica literária, sempre em evolução. Escrevo por aqui no Recanto das Letras há pouco mais de um mês e, relendo meus textos, senti bastante melhora neles: da anarquia intelectual fui aprendendo com os recantenses a olhar mais para o meu interior, ser menos ácido nas minhas críticas e mais humano com quem tem gostos diferentes dos meus. Nunca me senti o dono da verdade, pois tenho formação acadêmica na área do Direito, onde o contraditório é a base das sustentações contra ou a favor de uma tese, porém, militando no obscuro dentro da seara da fé, até me envolvendo com seitas da Igreja dentro da própria Igreja, perdi o rumo da vida e só encontrei minha verdadeira essência religiosa no Nordeste. Agora, piedade popular, romarias, Padre Cícero e Nossa Senhora Aparecida me livram do peso de terceirizar a vivência da minha fé às pregações com moralismos estéreis, longe da nossa caótica humanidade ou, pior ainda, da busca de paz infernizando a vida do próximo, principalmente quem é honesto e não está buscando milagres para se sentir especial diante do Senhor. Minha vida já é um milagre, nem sei como cheguei até aqui, mas cheguei, e agora com a literatura regionalista, o jazz e uma fé humana de se viver, tenho edificantes planos para o futuro: parar de fumar; formar uma nova biblioteca, pois a antiga foi vendida quando me ausentei de São Paulo; curtir mais a natureza; aproveitar o que sampa tem de regional em sua cultura, pois são milhões os nordestinos que moram por aqui, principalmente na região metropolitana, onde resido; investir no empreendedorismo e sei lá mais o que pensar... ah, tudo isso sem esquecer que meu filho adolescente e minha esposa precisam muito da minha atenção. O mais delicado é dar o primeiro passo, sair do marasmo no qual me encontro, fazer meu corpo parar de consumir suas próprias reservas para sobreviver a uma medíocre vida de classe média. Desde cedo estudei muito, sempre trabalhei, mas me aposentaram, porém agora, bem equilibrado, vou investir longe de um carro zero quilômetro na minha garagem, viagens para badalados resorts, seguir o que dita a moda etc. Quero filosofar e contemplar mais, trazer esta experiência para a solução de problemas que, mesmo parecendo impossíveis de serem resolvidos, uma tarde de domingo no parque vendo as crianças brincarem ajuda, e muito. Concluindo, espero retomar o estudo da filosofia, primeiramente de forma autodidata, sem valer nota no ENEM. Com o tempo detalho esta experiência por aqui, ainda estou no começo, primeiro os estoicos, depois Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, Santo Anselmo, voltar para a Grécia antiga e, enfim, partir para o futuro, jogar-me nas mãos de Deus para entender coisas básicas como o que estou fazendo por aqui? O que o próximo espera de mim? O que é a felicidade? O que me falta? O que Deus quer de mim? Partir para novas descobertas. Boa Páscoa a você, Ele ressuscitou! GONZO E HIPERGRÁFICO
Enviado por GONZO E HIPERGRÁFICO em 04/04/2026
Alterado em 16/04/2026 Comentários
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