GONZO E HIPERGRÁFICO

A VIDINHA COTIDIANA DE UM ESQUIZOFRÊNICO HIPERGRÁFICO PERDIDO NA WEB

Textos

NEYMAR, MOCINHO OU VILÃO?

O Italiano não convocou Neymar para os amistosos que a seleção brasileira fará em breve e a crônica esportiva recebeu a notícia sem surpresa; li até que há um "messianismo" sobre ele! Sim, concordo, mas uma paixão num país que está carente de ídolos e o futebol é craque em nos tirar um pouco o peso do cruel cotidiano repleto de más notícias, que não perdoam nem o STF, onde a Justiça com 'J' maiúsculo cada vez mais está dando lugar a uma com 'j' minúsculo.

Sim, o Menino da Vila já ficou fora da seleção no início da carreira quando, junto com Ganso, fazia a alegria dos santistas com um competente futebol; Neymar vingou mas Ganso não cumpriu o prometido. Lembro bem aquela época: foi unânime entre os especialistas que ele deveria ter ido para a Copa; já agora, a unanimidade é que seu "estrelismo" não compactua com o trabalho em equipe, mas que equipe? A relação entre atletas e seus comandantes está cada vez mais baseada em frias estatísticas sobre a forma física, gols, assistências, passes errados e, nos moldes do que acontece com as práticas esportivas mais curtidas nos Estados Unidos, são elas que decretam o futuro financeiro do jogador num time.

Trazendo a realidade do futebol para a do Brasil, quem dos nossos comandantes age num trabalho em equipe? O Ministro do STF com interesse financeiro na causa que julga? O presidente gastando o que não pode pensando na próxima eleição? O policial que joga no lixo sua carreira por trocados da bandidagem? O padre ou o pastor que relativiza suas opiniões em troca de mais audiência nos escandalosos espetáculos da fé na tevê? Cadê aquele Magistrado que decide de forma exemplar uma ação contrária aos interesses das elites financeiras? Cadê o presidente que, energicamente, toma uma medida impopular, mas em prol de quem vai herdar este país tão carente de futuro para os jovens? Cadê o padre ou o pastor que, longe dos holofotes da grande mídia, esclarece que Nosso Senhor Jesus Cristo pagou preço de Cruz por nossos pecados? Em meio a tantos "'cadês" surge, na minha modesta opinião, Neymar.

Mocinho ou Vilão? Estrela que joga só para si ou junto com o time? Lembro que no último Brasileirão foi fundamental para seu time não ser novamente rebaixado. Enquanto os ídolos da música popular estão cada vez mais descartáveis - são apenas efêmera moda -, e na literatura essa realidade também é tangível, quem se refugia no esporte para um momento de saudável entretenimento não poderá contar com o craque para sonhar mais alto; voltou a jogar no Brasil mesmo ainda podendo ganhar financeiramente mais no exterior. A Argentina de Messi está num caos econômico e político pior do que o nosso, e ele continua bem falado; já por aqui, quando algum médium do futebol irá tomar uma cachacinha, acender um charuto e trazer de volta Nelson Rodrigues para um pouco de Freud no futebol, o esporte das multidões? Muitas vezes a fama não pode ser transformada em gol, mas quem disse que futebol é só gol? No intervalo das aulas no colégio, e nos videogames, os jogadores estrangeiros estão sendo mais lembrados que os brasileiros; será que já está na hora de trocarmos Neymar, por exemplo, por Vini Júnior? Teimoso, insisto por quem posso, aqui pertinho de mim, torcer, além de trazer alegria para o nosso futebol que cada vez mais forma torcedores do Real Madri ou Barcelona e cada vez menos flamenguistas ou corintianos. Até os times das massas estão perdendo novos torcedores para a Espanha e a Inglaterra. Salve Neymar!

GONZO E HIPERGRÁFICO
Enviado por GONZO E HIPERGRÁFICO em 16/03/2026
Alterado em 16/04/2026


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