GONZO E HIPERGRÁFICO

A VIDINHA COTIDIANA DE UM ESQUIZOFRÊNICO HIPERGRÁFICO PERDIDO NA WEB

Textos


O PUXÃO DE ORELHA DOS MÚSICOS EVANGÉLICOS NOS CATÓLICOS

 

Chego mais cedo na missa para ter um momento de intimidade com Nosso Senhor Jesus Cristo antes de recebê-lo na eucaristia, e quem acredita que dá para ter sossego com a banda do ministério de música batendo no prato, ou no tambor, ou improvisando um solo de guitarra na passagem do som? Cadê o órgão e o violino? E durante a celebração do santo sacrifício do Filho de Deus? Até coreografia com dancinhas infantis e totalmente fora do contexto. Curto rock'n'roll na minha casa, mas baixinho, para não distrair quem está vendo tevê, interagindo nas redes sociais, ou no videogame. Na minha adolescência - anos mil novecentos e oitenta - era bem diferente e fui acostumado assim: o templo é lugar de silêncio e música, só de coral ou instrumentos de orquestra. Sim, na clausura do meu lar acesso conteúdos mundanos da literatura, filmes ou música; é uma forma de passar o tempo sem ficar isolado do resto do mundo, pois não escolhi ser padre ou missionário, mas formei família, então não posso deixar de saber como anda a vida fora da Igreja. Aceito até alguns capítulos da novela ou do masoquista Big Brother Brasil.

Posto isso, vasculhando a WEB me deparo com uma reportagem que anuncia que sem pastores midiáticos e de forma discreta a igreja evangélica exporta músicos para as principais orquestras do país: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cn9e301qvplo . A Renovação Carismática Católica copia tantas novidades deles, como a oração em línguas e os milagres sem comprovação científica, então por qual razão não imitá-los voltando às raízes ancestrais e trazer de volta para as missas músicas agradáveis para uma entrega mais profunda ao Senhor? E são músicas comerciais, para fazer sucesso nas rádios católicas, quem sabe até ficar famoso, viver da idolatria de gente que, na empolgação, esquece que a trilha musical é para agradar a Deus e não ao Tinhoso. Vivaldi foi padre!

Reconheço que os carismáticos são diferentes na forma de viver a fé católica e também bem intencionados quando propõem a volta de ovelhas perdidas para uma Igreja mais antenada com o mundo que a rodeia e, nesse raciocínio, faz-se mister inovar nas missas. O problema é que barulho e dança não é a característica de quem tem uma fé baseada na piedade popular e lembro o exemplo das romarias a Aparecida do Norte e da devoção a quem sequer foi beatificado, Padre Cícero. Meditar a Palavra exige atenção ao Texto Sagrado e não à música, que deve ornar com um ambiente de mosteiro, algo saudável a uma celebração litúrgica.

Ah, vamos também imitar os projetos sociais dos protestantes que ensinam crianças a tocar instrumentos musicais de orquestra com menos de dez anos de idade? Boa música é disciplina, árduo estudo, muito treino e, voilà, um jovem que aprende desde cedo a cultuar o belo, tanto na Igreja quanto fora dela! Meu menino adolescente já arrisca trechos da nona de Beethoven nos teclados e Vivaldi no violino só com a ajuda da WEB; uma coisa foi puxando a outra e, assim, também começa a descobrir a literatura dos adultos, e já tem interesse em minhas sugestões: Moby Dick foi o indicado. Conheço muito bem o que o Tinhoso gosta e hora de rezar não é hora de distrações mundanas. Paz e Bem.          

GONZO E HIPERGRÁFICO
Enviado por GONZO E HIPERGRÁFICO em 13/03/2026
Alterado em 16/04/2026


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