

O CRAQUE E O RACISMONa teoria, o Brasil não é um país racista, pois tem lei severa para a injúria racial, cotas nas universidades e nos concursos públicos, e o Dia da Consciência Negra; entretanto, como a coisa funciona na prática? Sou branco, católico e heterossexual, portanto não sei responder, mas acompanho pelos noticiários que a vida não é tão fácil assim para os afrodescendentes: aeroportos, supermercados, bancos e seus seguranças para alimentar reportagens sobre o desrespeito à lei e à vida em sociedade. Fui casado com uma preta durante vários anos e, se ela quisesse a maternidade, eu poderia ter tido um filho bem moreninho. Na época não existia tanto policiamento da sociedade contra o racismo e, mesmo assim, nunca presenciei olhares tortos para ela. Será que é impressão só minha que a animosidade contra os negros cresceu desde aquela época ou, com o advento das redes sociais, que os casos de preconceito ficaram mais visíveis aos nossos olhos? Também não sei responder. Ojeriza, hostilidade, encarniçamento, aversão, ódio, antipatia, inimizade, malquerença, prevenção, raiva, rancor, repulsão, ressentimento são sinônimos indigestos que pessoas com alguma característica em especial já experimentou. Já senti na pele a teofobia em ambientes onde circulam pessoas talentosas e inteligentes como jornais, faculdades, tevê, filmes, músicas etc. e continuei firme na minha individualidade respeitando o contraditório em desfavor da minha fé, principalmente quando estourou o escândalo da pedofilia na Igreja. Raciocino assim: de vítimas a sociedade está cheia, para todos os gostos, mas o racismo, antissemitismo e a homofobia são bem piores que, por exemplo, o preconceito dos veganos contra quem “come cadáver”. Sobre o Vini Júnior; sua forma de lidar com o racismo, a priori, não teve meu apoio, pois um dos objetivos de fanáticos torcedores nos estádios é infernizar o “inimigo” a qualquer custo, tirar a concentração do craque, marcá-lo fortemente mesmo estando fora do campo; enfim, desestabilizá-lo. A questão é que as ofensas foram se repetindo sem qualquer cuidado das autoridades do futebol então enxerguei que, sim, ele deve parar a partida e mostrar sua indignação. Meu filho de treze anos tem uma camisa dele e também o escala no videogame, portanto até uma inocente diversão de adolescente pode ser sadia para refletir sobre as dificuldades de uma pessoa que não escolheu nascer preto, mas foi escolhido por Deus para, do seu jeito, pelo menos dar visibilidade a tantos anônimos que sofrem da mesma forma num mundo cada vez mais belicoso, mesmo com os atuais avanços sociais, econômicos e científicos. Mostra teu jogo, Vini, doa a quem doer!
GONZO E HIPERGRÁFICO
Enviado por GONZO E HIPERGRÁFICO em 13/03/2026
Alterado em 16/04/2026 Comentários
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