

CASTIGO DE DEUS?Pandemia, guerra, terremoto, seca, inundação, queda de barragem, queimada, meu Tricolor Paulista que acaba de perder o técnico, minha aposentadoria precoce, meu tornozelo com o osso fraturado, meu e-book que ainda não vendeu um único exemplar, uma conhecida quarentona que queria logo casar para ter filho termina o noivado... cadê o Senhor? É só um personagem da mente criativa do crente? Se ele existe, por qual razão há tanta discórdia no mundo? E o líder religioso que não dá exemplo de conduta ilibada? E o fiel ansioso pelo milagre que nunca acontece? E o bebê que morre sem ainda ter completado um ano de vida, qual pecado cometeu? E o feto que nem sequer nasceu? E o embriagado ao volante que tirou a vida de um jovem? E o assassino que matou por ciúme? O que o cão “orelha” fez para ser morto de forma tão cruel? Cadê meu Senhor que permite tudo isso?
Terráqueo, bem-vindo ao mundo dos adultos, onde inexiste solução fácil para problema difícil. Em primeiro lugar, perdemos o Paraíso pela soberba, quando Deus foi substituído pela ambição do Tinhoso. Desde então fomos povoando a Terra, passamos por diversas alianças com o Criador até a última e definitiva, através de Jesus Cristo, nosso Salvador. Ele pagou preço de Cruz por nossos pecados e nunca prometeu vida fácil para os cristãos; ao contrário, alertou sobre o pecado e deu o mandamento maior: “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. Na nova e definitiva aliança, pecamos, e Ele nos perdoa. Novamente insistimos no mesmo pecado e Ele continua nos perdoando. Raciocino da seguinte forma: tá, o mal existe, nos amedronta, torna a pessoa um escravo dele, testa sua fé colocando-o no lugar de Jó, você resiste heroicamente e descobre que vivemos neste mundo sem estar nele. Ato contínuo, tem mais cuidado com o pecado, acontece um desastre na tua vida mas logo percebe que Deus tira algo de bom do ocorrido. Você me interrompe e pergunta: perdi meu filho, o que há de bom nisso? Que pecado tão grave cometi? Ouvi falar que o Deus do Novo Testamento não castiga, mais ainda, que Ele sempre perdoa, principalmente para exemplificar a lição evangélica de “perdoar setenta vezes sete”. Estamos chegando a algum lugar: o mal está presente no mundo, não é ausência do Altíssimo, não é castigo e pode ser, simplesmente, fruto da liberdade que o Homem tem para agir com sua própria razão.
Não sei responder sobre o porquê de ter perdido seu filho. Meus pêsames, de modo sobrenatural ele continua vivo. Estar longe não quer dizer estar morto, ainda precisa das suas orações, agora mais do que nunca! Caso seja católico, há o Purgatório, uma etapa intermediária entre o Céu e o Inferno. Ou quem sabe já foi direto para o Paraíso contemplar o Senhor bem de perto. Continue frequentando os sacramentos e se quiser até discorde do Pai quando conversar com Ele. Minha relação com Deus nem sempre é satisfatória e aprendi a autocrítica não como meio para me desvalorizar por causa dos meus pecados, mas para ser bem mais humilde quando o descaminho entra na minha vida e o mundo que me cerca parece ruir sobre mim.
Sou tabagista, rocker e várias vezes neguei esmola a um pedinte no portão de casa. Também já deixei a Bíblia e o terço de lado para ocupar meu tempo com distrações mundanas. Meu filho e minha esposa merecem mais da minha atenção. Minha mãe fica nervosa com algumas atitudes pouco caridosas da minha parte. Enfim, mereço meus “castigos”? Um dia por vez: vivo o tempo presente com toda sua brutalidade, venço a maioria dos desafios que surgem, deixo as derrotas para o dia seguinte, vou aprendendo com elas e com meus “castigos”; assim, quem sabe quando chegar a hora de me despedir deste exílio tenho algo mais heroico para apresentar ao Senhor. Paz e Bem. Salve Maria Imaculada. GONZO E HIPERGRÁFICO
Enviado por GONZO E HIPERGRÁFICO em 12/03/2026
Alterado em 16/04/2026 Comentários
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