GONZO E HIPERGRÁFICO

A VIDINHA COTIDIANA DE UM ESQUIZOFRÊNICO HIPERGRÁFICO PERDIDO NA WEB

Textos

O STF DAS ELITES

Há cerca de uns vinte anos fui cumprir, num sábado, nos Jardins, bairro de sampa onde mora gente muito endinheirada, um mandado no apartamento da filha do dono de um gigante do varejo, simplesmente para citá-la numa modesta ação de Juizado Especial Cível, e não desceu, pois se apresentou como judia e era dia sagrado de repouso. Voltei no domingo e novamente não quis me receber, nem autorizou o porteiro a receber o documento ou se identificar para mim. Pacientemente, conversei com ele por um bom tempo até ter que ameaçar voltar com a polícia. Foi um blefe que funcionou e cumpri com minha obrigação.

 

Lembro desse fato agora horrorizado com dois Ministros do STF envolvidos no caso do Banco Master; o poder econômico tirou toda a imparcialidade deles! Acabou o que restava da minha fé na Justiça para uma ação com recurso na Suprema Corte. Na base do Poder Judiciário, já tirei do próprio bolso para dar conta do excesso de serviço, sempre cobrado para manter os prazos em dia; já participei de vaquinha para informatizar o cartório e, assim, prestar serviço decente quando os processos eram físicos e o balcão ficava cheio de partes e advogados muito descontentes com o atendimento; e já trabalhei muito nos finais de semana; além de ter trancado a matrícula na universidade por um semestre para dar conta da invencível carga de trabalho.

 

Nunca me arrependi de tentar ser um serventuário dedicado, pois quando resolvi ser funcionário público, também aceitei, primeiramente, o ônus, para só depois gozar do bônus. Na época das certidões manuscritas, dos carimbos e das máquinas de escrever, a serventia, em sua maioria, verdadeiramente dava o sangue no trabalho, pois a Justiça era ainda mais morosa e cara, porém a gente tinha orgulho de trabalhar para uma honesta e guerreira Magistratura de Primeira Instância e, melhor ainda, receber notícias de acórdãos em Brasília que efetivamente faziam Justiça com “J” maiúsculo. Hoje, com o Judiciário todo informatizado, os processos ainda passam anos parados nos Tribunais, e cada vez mais se legisla ao invés de decisões com base na Lei, ou seja, a vontade dos nossos representantes no Congresso Nacional.

 

Enfim, num exercício de futurologia, calculo um impeachment de Ministro do STF, pois o país não mais aguenta a insegurança jurídica inibindo bilhões e mais bilhões de dólares em investimentos por aqui. O Brasil não arrecada pouco; é a corrupção e a inércia do Poder Judiciário que atrapalha quem tenta ser honesto, mesmo com exemplos de desonestidade todos os dias nos noticiários e nas redes sociais. Brasileiro, é ano eleitoral, tempo de ficar melhor informado, e não repetir os mesmos erros na hora de votar. Já conheci uma engenheira que trabalhava como assistente de professora de creche da prefeitura para ganhar menos de dois mil reais e, acredite, na região metropolitana de São Paulo! Quer futuro melhor para seu filho? Acorde, use sua inteligência para mudar o que o povão consagrou como verdade: “a Justiça é morosa ou ineficaz para os ricos enquanto é dura com os pobres”.

GONZO E HIPERGRÁFICO
Enviado por GONZO E HIPERGRÁFICO em 11/03/2026
Alterado em 16/04/2026


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