GONZO E HIPERGRÁFICO

A VIDINHA COTIDIANA DE UM ESQUIZOFRÊNICO HIPERGRÁFICO PERDIDO NA WEB

Textos

DISTRAÇÃO MUNDANA DE UM CATÓLICO

Tento, mas não consigo me livrar do rock'n'roll, que ao invés de me acalmar, me deixa ainda mais agitado que o de costume, mesmo filtrando o conteúdo das letras mais perniciosas. Tento a música erudita para uma distração mais edificante e de acordo com o que prega a Igreja, mas a agitação não desaparece. Apelo então para o vício em escrever - sou hipergráfico - e, assim, relaxo: produzo textos que acredito estarem em conformidade com minha fé mas, geralmente, com trilha sonora mundana no meu surrado laptop. Quanta contradição, heim?

 

Sim, há o rock católico, mas não consigo me interessar por ele, pois seus artistas só mudam as letras; se podem usar preto, deixar os cabelos crescerem, tocar com o mesmo barulho bebido das bandas seculares etc.; estou me culpando sem motivo. Então, mesmo o ruído das guitarras distorcidas aprovado pelas autoridades da Igreja, não acho bacana misturar o mundano com o sagrado, mesmo vivendo esta realidade. A questão é a seguinte: sirvo de exemplo só para o meu filho adolescente de treze anos, que já brinca com a nona de Beethoven nos teclados e com Vivaldi no violino. Também ouve o que a Igreja não indica, ainda não sabe traduzir as letras com competência, mas nada disso aprendeu comigo; tem liberdade para explorar o desconhecido e só ajo quando for necessário preservá-lo de conteúdos que julgo perigosos para a idade dele.

 

Não dá para escapar, tem música barulhenta nos livros, na publicidade da tevê, nos filmes, nas minisséries, nas novelas, na WEB, na Igreja, nas salas de espera, nos comércios... enfim, como cultivar o ambiente de mosteiro se o barulho me acostuma a ele, pois está em quase todos os lugares que acesso para fugir do rude cotidiano que me cerca? Boa pergunta, e respondo que o inimigo pode virar amigo desde que meu testemunho através dessa inculturação (da IA: processo teológico e pastoral de inserção da fé cristã em uma cultura específica, adaptando a liturgia e a mensagem do Evangelho aos costumes, linguagem e valores locais sem perder a essência doutrinária. Envolve a interpenetração recíproca, onde o Evangelho transforma a cultura e é enriquecido por ela) seja efetivamente honesta, isto é, não tente empurrar minha fé para quem não tem qualquer interesse por ela além da curiosidade sobre como um católico pode curtir, por exemplo, uma música com letras hedonistas, mas não colocar em prática o pecado inspirado por ela. Na outra mão da via, que não tente levar o pecado para dentro da Igreja supondo que o ordinário, isto é, consagrados hinos das missas, canto gregoriano, música instrumental edificante e corais; está desatualizado e, o extraordinário, a saber, música mundana, deve substituir o certo pelo duvidoso.

 

No último sábado assisti, no Fazendo Barulho, programa da Comunidade Católica Shalom que passa na Rede Vida, uma entrevista com Sueli Façanha, cantora católica, esclarecendo sobre uma rápida época na qual mudou o figurino, pintou as unhas de preto, cortou e tingiu os cabelos, tudo para atingir outro tipo de público, mas não era ela, desabafou. Nesse raciocínio, viver sem o rock não sou eu. Perdão, Mestre, pois pequei e continuo pecando, indica o caminho, sabe que sou fraco, que tarde te amei, que tento mas não consigo deixar de admirar a contracultura na música, e que, como Santo Agostinho, um dia encontre a Paz do Senhor só no Senhor. Salve Maria Imaculada!

GONZO E HIPERGRÁFICO
Enviado por GONZO E HIPERGRÁFICO em 10/03/2026
Alterado em 16/04/2026


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