GONZO E HIPERGRÁFICO

A VIDINHA COTIDIANA DE UM ESQUIZOFRÊNICO HIPERGRÁFICO PERDIDO NA WEB

Textos

MINHAS CONTRADIÇÕES

Terráqueo, estava relendo meus textos e como sou contraditório! Muitas vezes, após rezar o terço, venho pra cá, no meu escritório, junto ao surrado laptop que me acompanha há mais de quinze anos, e dá-lhe barulheira rocker no Youtube, além do noticiário nada silencioso sobre as dificuldades do mundo contemporâneo. Acerca das letras das músicas, muita coisa longe da minha fé e também longe de ficar menos agitado; será que voltei a ser perseguido, vigiado, receber mensagens através de números, cores etc. pelo rádio e pela tevê? Esquizofrenia é coisa séria, já me aposentou mas insisto em ter uma vida normal, com distrações normais, acompanhar o que acontece fora da cela onde me refugio, enfim, sou pai de um adolescente e marido de uma mulher ultraconectada; não posso mais ficar com receio de me expor numa realidade que exige meu posicionamento em questões práticas da vida em sociedade.

Sim, estou compensado e com projetos para o futuro - coisa nova para mim -; ter escolhas, fazer o que gosto, trabalhar com o que gosto, ouvir o que gosto, ler o que gosto, ter uma vida intelectualmente produtiva mas a Igreja, através da mídia católica, prega um isolamento que Jesus não teve; vivia cercado de pecadores, chamou pecadores para segui-lo de perto, defendeu a pecadora que iria ser apedrejada, sei lá, o Criador não quer mais que viva tão recluso. Escrever é uma libertação, provoca meu intelecto, ajuda a ter disciplina, distrai, cresço com isso. Então, sobre minhas contradições, as principais são livros e músicas que o povo mais conservador da Igreja condena. O curioso espanta, surpreende minha inteligência acerca de pessoas que são queridinhas na Igreja como Leonardo Boff e Frei Betto; enquanto este é relativista sobre o aborto, aquele defende um Jesus revolucionário. Prefiro não me perder com o aproveitamento político da fé.

Não quero bater palmas para mim mesmo, mas tenho que dar meu testemunho: caso tenha lido a obra que publiquei ontem de modo independente na Amazon, Doutor Gonzo e Um Esquizôfrenico, que agora estou divulgando, verá que pretendo ser honesto na minha caminhada. Pela primeira vez na vida estou em paz com a literatura. Apesar do texto exigir muito do leitor que não tem familiaridade com textos difíceis como O Som e a Fúria, de William Faulkner, e até mesmo com a Bíblia sem notas de rodapé, o caos literário de lá demonstra como funcionam minha mente e meus pensamentos acelerados: foi escrito em poucas semanas, o conteúdo foi sendo reescrito de acordo com estímulos que ia recebendo da tevê, rádio e WEB e o resultado final, que apelidei de romance católico com fundo filosófico - o principal livro da obra conta a história de um padre que exerce seu ministério fora dos padrões comuns -, deu voz a alguém desenganado pelos peritos que me tiraram o emprego. Atualmente mais tranquilo - poderia ter mentido para eles -, sinto que foi realizada a vontade do Pai.

Perdão por torrar sua paciência com meus questionamentos, pois não me divirto com as redes sociais; prefiro deixar minhas contradições gravadas de modo eterno na WEB, e que o Salvador diga, quando chegar a minha hora de partir deste exílio, se fui um bom cristão, mesmo tendo escrito sobre um sacerdote que ajudou a criar um jovem como se fosse seu filho, e mesmo tendo como trilha sonora para a façanha The Jesus and Mary Chain, a banda mais hedonista do planeta. Como se despedem os velejadores, Bons Ventos.

GONZO E HIPERGRÁFICO
Enviado por GONZO E HIPERGRÁFICO em 07/03/2026
Alterado em 16/04/2026


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras